
Em seu discurso de abertura do Encontro Nacional de Academias de Medicina, inaugurado na sexta-feira, 28 de agosto, no auditório do Cremers, o presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), Sérgio de Paula Ramos, alertou para a necessidade do evento “transformar reflexão em proposta, conhecimento em compromisso e debate em ações concretas que contribuam para formar médicos cada vez mais preparados para cuidar de pessoas”.
Não poderia ser mais feliz em sua assertiva. Ao final de dois dias de debates propositivos sobre a formação médica brasileira, reunindo acadêmicos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Paraná e Santa Catarina, o anfitrião do evento, promovido conjuntamente com a Academia Nacional de Medicina (ANM), classificou o momento como “decisivo para o ensino médico brasileiro”. E viu consolidarem-se propostas concretas, responsáveis, tecnicamente fundamentadas e institucionalmente exequíveis construídas por todos.
Em fase final de redação, a cargo do vice-presidente da ASRM Darcy Ribeiro Pinto Filho, o documento com as proposições – chamado Carta de Porto Alegre- objetiva chegar às universidades, às entidades médicas, aos órgãos reguladores e aos formuladores das políticas públicas de saúde e educação em um movimento político das academias de medicina, capaz de amalgamar as entidades preocupadas com os impactos nocivos do excesso de escolas no país.
Mais que as escolas que os Estados Unidos e a China possuem juntos, o Brasil tem 498 faculdades de Medicina, das quais 80% de natureza privada. São cursos que, todo ano, entregam diplomas acrescentando, ao cenário superlotado, cerca de 50 mil novos médicos, muitos dos quais despreparados para exercer a profissão com qualidade que a população necessita.
Entre as principais recomendações que possam efetivamente influenciar decisões e aperfeiçoar a formação médica está a implantação de uma prova de proficiência única, aplicada para todos os futuros profissionais em todas as regiões do país. A proposta considera avaliar, continuadamente, também as faculdades e os docentes, acompanhando todo o período de graduação, internato e residência médica. Mas, sobretudo, inova propondo a responsabilidade pela avaliação à entidade médica – e não mais ao MEC, como ocorre nas atuais aferições oficiais.
Ao lado de Paula Ramos participaram da mesa de abertura do evento, o presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Antonio Egidio Nardi, e o presidente do Conselho de Medicina do RS, Régis Fernando Angnes. Ele defendeu uma campanha conjunta das instituições médicas e das academias, fortalecendo ações em defesa do ensino médico de qualidade.







