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Acadêmico Cláudio Marroni destaca 35 anos de transplantes

Os 35 anos do primeiro transplante de fígado da Santa Casa de Porto Alegre, realizado em junho de 1991, foram tema de uma transmissão ao vivo do ciclo “Histórias da Saúde”, na noite de terça-feira (13). Promovido pelo Centro Histórico-Cultural (CHC) da instituição, o encontro foi transmitido pelo canal do CHC no YouTube e reuniu três médicos para abordar o pioneirismo, os critérios para o procedimento e os cuidados após a cirurgia.

Integrante da equipe pioneira do Grupo de Transplante Hepático de Adultos da Santa Casa, o Acadêmico Cláudio Marroni abriu a programação com um panorama histórico do procedimento. Ressaltou que sua realização depende de uma equipe multidisciplinar qualificada e dedicada e destacou a contribuição de outros Acadêmicos para o desenvolvimento da área no Rio Grande do Sul.

Entre eles, citou Antonio Nocchi Kalil, pioneiro na realização de transplante de fígado intervivos com uso de cirurgia robótica na Santa Casa; Cleber Dario Pinto Kruel e seu filho, Cleber Rosito Pinto Kruel, responsáveis pela implantação do grupo de transplante hepático de adultos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA); e Themis Reverbel da Silveira, pioneira da hepatologia no estado e criadora do primeiro programa de transplante hepático voltado a crianças e adolescentes no HCPA.

Na sequência, o hepatologista Ajácio Bandeira de Mello Brandão, que também integrou a equipe responsável pelo primeiro transplante na Santa Casa, abordou os critérios de doação de órgãos e de seleção dos pacientes. Explicou que a Central de Transplantes do estado indica o paciente prioritário naquele momento, que passa por uma avaliação rigorosa para confirmar suas condições clínicas e verificar se a situação que determinou sua prioridade permanece a mesma.

Segundo o hepatologista, a disponibilidade de órgãos é um dos desafios para a realização dos transplantes. “Existem mais candidatos do que doadores”, afirmou.

Integrante do grupo desde 2000, o hepatologista Alfeu de Medeiros Fleck Junior falou sobre os cuidados após o transplante, incluindo o uso contínuo de medicamentos imunossupressores e as situações que podem exigir um retransplante. Conforme relatou, dos 1.843 pacientes atendidos pelo grupo, 113 precisaram de um novo transplante. Entre as causas, mencionou complicações vasculares, como a trombose da artéria hepática, além de recidiva de cirrose e rejeição crônica.

Para os três especialistas, o principal objetivo é permitir que o paciente retome sua vida com qualidade. “Não existe ganho absoluto sem contrapartida. Há preços biológico, psicológico, ético e social. Mas o transplante de fígado é o milagre da troca”, destacou o Acadêmico Marroni.

O encontro integrou o ciclo “Histórias da Saúde”, promovido pelo CHC há dez anos.

Confira a palestra completa no link abaixo.