Pesquisar

Discurso da Posse Dr. Sérgio de Paula Ramos 2025- 2026

Excelentíssimo Senhor Governador do Estado do Rio Grande do Sul Eduardo Leite,
Senhor Presidente do CREMERS Dr. Eduardo Trindade,
Senhora Presidente da ASRM Dra. Miriam da Costa Oliveira,
Prezados confrades e confreiras da ASRM,
Amigos e familiares aqui presentes,

É sabido que psiquiatras falam pouco, e eu não o farei de forma diferente. Mas, por outro lado, sabedor da relevância do momento, desejo expressar aqui meus agradecimentos, bem como minhas preocupações com o estado atual, assim como a previsão de futuro da Medicina e, por conseguinte, da saúde pública, no país.

Começando pelos agradecimentos, desejo manifestar minha alegria com os senhores confrades e com as senhoras confreiras por terem, através da aclamação, depositado confiança em nosso grupo de trabalho. É certo que procuraremos estar à altura das expectativas em um ano muito especial para nossa Academia, posto que nele comemoraremos nossos 35 anos de existência.

Em segundo lugar, agradeço os magníficos ensinamentos sobre como ser Presidente dados pelos que me antecederam, Presidentes Gilberto Schwartsmann, o saudoso Carlos Henrique Menke, Luiz Lavinsky e Miriam da Costa Oliveira. Cada um, a seu modo, deixou indelével marca de afeto, competência e adequada condução das equipes das quais tive a honra de participar, contribuindo, cada vez mais, para que a Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina seja mesmo, como repete o Presidente JJ Camargo, um bom lugar para envelhecer.

Em seguida, meus agradecimentos aos confrades e às confreiras que aceitaram o meu convite para participarem da Diretoria que hoje toma posse e que os apresentarei formalmente ao final desta fala.

Por fim, mas não menos importante, meu eterno agradecimento à minha esposa, Ana Luisa; aos meus filhos, Fernanda e Vitor; à minha enteada, Andrea; e à minha nora, Giovana, pelo suporte que sempre me deram. Igualmente, agradeço aos meus médicos, Acadêmicos Cláudio Teloken, Jacó Lavinsky, Leandro Zimerman e Nilton Brandão, assim como ao Novo Talento Joel Lavinsky. Todos merecedores de minha gratidão.

Postos os agradecimentos, passo às preocupações.

A primeira e talvez a mais difícil de ser alcançada, reconheço, é de, no mínimo, manter a produtividade da gestão que ora se encerra. A Presidente Miriam, nos dois anos que esteve à frente de nossa Academia, foi tenaz para que todas as suas metas fossem cumpridas. Todos estamos de acordo que ela foi uma das mais produtivas de nossa instituição. Ao principal legado do Presidente Lavinsky, o programa Novos Talentos, ela acresceu inúmeras publicações, catalisou a reforma de nosso estatuto e de nosso regimento interno, iniciadas na gestão anterior. Além disso, remodelou nosso site e nele criou várias abas novas, tais como a de produções literárias dos acadêmicos, o Núcleo de Educação Médica e a de Médicos Fotografam. Aliado a isso, inseriu, nesse sítio eletrônico, todos os documentos da Academia. Outro fato digno de nota foi o de ter mantido as reuniões ordinárias e as culturais em excelente nível. Logo, manter esse tônus é árdua tarefa.

Mas o olhar dessa nova gestão não poderá se restringir ao para dentro de nossa querida Academia.

Neste mês de maio, transcorre o período de um ano da enchente no Rio Grande do Sul. Por meio dela, assistimos, por um lado, a um evento terrivelmente catastrófico, mas, por outro, percebemos o vigor e a resiliência do povo gaúcho, que foram expressos através de um movimento, sem precedentes, de voluntários. Vejo nesses fatos tanto a força indomável da natureza quanto a coragem e a determinação de nossa gente.

Isso deve ser considerado neste momento em que somos invadidos por nova enchente, mas, dessa vez, de agravos à saúde pública. Têm-se agudizado, nos últimos anos, a eterna falta de leitos, as filas de espera intermináveis para consultas médicas e a terrível resposta que o governo está dando, abrindo uma faculdade de medicina em cada cidadezinha do país, como se formar mais médicos de baixa qualidade profissional fosse resolver alguma coisa.

De fato, o Brasil apresenta agora uma das maiores densidades de escolas médicas do mundo. Com aproximadamente 390 instituições de ensino médico, por enquanto, e uma população estimada em 205 milhões de habitantes, o país possui cerca de 1,9 escolas médicas por milhão de habitantes. Em comparação, a Índia, que lidera em número absoluto de escolas médicas, com cerca de 400 instituições, possui uma população de aproximadamente 1,4 bilhão de pessoas, resultando em cerca de 0,3 escolas médicas por milhão de habitantes. Outros países, como os Estados Unidos, com cerca de 131 escolas para uma população de 330 milhões, apresentam uma densidade de aproximadamente 0,4 escolas por milhão de habitantes. Não tenho a necessidade de me estender na divulgação de mais dados, por óbvio que o problema está colocado.

O que cabe à Academia fazer?

Nós, com vasto caminho percorrido, representando nesta sala a nata da medicina gaúcha, bem sabemos que médicos com formação insuficiente estarão despreparados para atender a população e, por isso, tenho a opinião que é nosso dever alertar as autoridades e a sociedade como um todo sobre as consequências sociais que se anteveem.

Penso que publicar posicionamentos técnicos, fruto de trabalho sério e isento, para que a sociedade tome as decisões que achar interessante, é nosso dever.

Aliás, não é só a questão das faculdades de medicina que está afrontando a sociedade brasileira e, de modo particular, a gaúcha.

Apenas para ficar no campo que conheço bem, o que dizer sobre a omissão das autoridades a respeito do absurdo crescimento do uso dos famigerados cigarros eletrônicos, teoricamente proibidos no país, principalmente por adolescentes? E, nessa mesma linha, o que dizer sobre o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes e seu impacto sobre a saúde pública? E sobre reincidência de mortes no trânsito causadas por uso de álcool por motoristas? E sobre os atos claramente médicos praticados por fisioterapeutas, educadores físicos, cosmetologistas, odontologistas? E por aí vai.

Esclareço que não cabe à Academia invadir a área de atuação do CREMERS ou mesmo a do SIMERS, mas sou dos que pensam que é dever da Academia manifestar posicionamentos técnico-científicos, fruto da medicina baseada em evidências, que possam subsidiar a ação deles, bem como tornar conhecida pela população seus efeitos nocivos.

Posicionamentos técnicos, portanto, será uma de nossas metas na gestão que hoje se inaugura.

Pelo exposto, concluo essa breve reflexão resumindo que, se por um lado, estamos cursando tempos difíceis, por outro, acredito termos força e capacidade para contribuir para que essa realidade seja alterada.

Diz o nosso hino nacional que “verás que um filho teu não foge à luta”, e o hino do Rio Grande do Sul acresce que “sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra”. Em prol da saúde pública e da medicina qualificada, tentaremos fazer o preconizado: não fugir à luta e fazermos propostas que possam servir de modelo a toda terra.

Muito obrigado.

E agora cumprirei a promessa de apresentar nossa diretoria:

Presidente: Sérgio de Paula Ramos
1º Vice-Presidente: Darcy Ribeiro Pinto Filho
2º Vice-Presidente: Jorge Milton Neumann
1º Secretário: José Chatkin
2º Secretário: Osvandré Lech
Tesoureiro: Valter Duro Garcia
Oradora: Maria Helena Itaqui Lopes
Diretor Científico: Sérgio Martins Costa
Diretor de Novos Talentos: Leandro Zimerman
Diretor Cultural: Cláudio Marroni
Diretor Interinstitucional: Germano Mostardeiro Bonow
Diretor de Comunicações: Paulo Belmonte de Abreu
Diretor de Memória: Paulo Roberto Prates