Exmo Sr. Dr. Regis Angnes, Presidente do CREMERS,
Exmo Sr. Dr. Marcelo Matias, Presidente do SIMERS,
Exmo Sr. Dr. Gerson Junqueira, Presidente da AMRIGRS,
Exma Sra. Dra Miriam da Costa Oliveira, nossa sempre Presidente da ASRM
Demais autoridades presentes,
Caras Confreiras, caros Confrades,
Minhas senhoras e meus senhores.
Retorno hoje a este púlpito tomado por um sentimento que mistura honra, gratidão e responsabilidade. A confiança renovada dos confrades e confreiras na continuidade do trabalho de nossa diretoria ultrapassa o plano pessoal; ela representa, acima de tudo, um reconhecimento à força institucional da nossa querida Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina e ao espírito coletivo que a sustenta.
Recebo esta recondução não como prêmio, mas como compromisso. Compromisso com a história da Academia, com a medicina gaúcha e, sobretudo, com os valores que herdamos daqueles que nos antecederam. Valores que unem ciência e humanismo, conhecimento e ética, tradição e capacidade de renovação.
O Rio Grande do Sul legou ao Brasil médicos extraordinários. Homens e mulheres que compreenderam que exercer a medicina é também participar da construção moral e intelectual da sociedade.
Nomes como Mário Rigatto, cuja inteligência crítica e vigor intelectual marcaram gerações de médicos; Rubem Maciel, exemplo de liderança acadêmica e compromisso institucional; Nelson Porto, com toda sua sabedoria clínica; Gerda Caleffi, a única fundadora mulher de nossa Academia e a primeira mulher a presidir a AMRIGS; Ellis D’Arrigo Busnello, pioneiro de uma psiquiatria genuinamente comunitária no Brasil; Fernando Pombo Dornelles, grande responsável pela fundação de nossa Academia; além de tantos outros mestres que fizeram da medicina não apenas profissão, mas missão.
Há também aqueles que não se contentaram em ser apenas grandes médicos e expandiram seu talento para a literatura, como Cyro Martins, Dyonélio Machado e Moacyr Scliar.
Desejo, por oportuno, também prestar homenagem especial aos acadêmicos fundadores da ASRM que felizmente permanecem entre nós: Carlos Souto, César Victora, Domingos D’Ávila, Fernando Lucchese, João Polanczyk, Joel Barcellos, Nelson Ferreira e Nilson May. Eles não representam apenas a memória da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina; representam a própria permanência de seus ideais fundadores e o testemunho vivo da visão que permitiu construir esta instituição.
Ao saudarmos nossos fundadores, saudamos igualmente todos aqueles que, ao longo das décadas, ajudaram a consolidar esta Academia como espaço de excelência científica, reflexão humanística e compromisso ético com a medicina e com a sociedade.
É nessa tradição que desejamos permanecer e avançar.
Ao iniciarmos esta nova gestão, nosso primeiro objetivo será preservar e fortalecer os programas já implementados. Em tempos marcados pela fugacidade e pela descontinuidade, manter projetos consistentes também é uma forma de avanço. O que foi construído até aqui pertence à Academia e deve permanecer vivo, ativo e útil à sociedade.
Pretendemos igualmente realizar, em parceria com a Academia Nacional de Medicina, o Encontro de Academias, iniciativa que muito nos honra e que permitirá ampliar o intercâmbio científico e institucional entre entidades médicas brasileiras, todas preocupadas com o atual momento do ensino médico. Aproximar Academias é aproximar inteligências, experiências e responsabilidades comuns diante dos grandes desafios nacionais.
Outro compromisso fundamental desta gestão será a manutenção do nosso quadro acadêmico e, para tanto, promoveremos a entrada de novos Membros Titulares e também de Novos Talentos, trazendo para junto da Academia médicos e pesquisadores que representem excelência, inquietação intelectual e compromisso ético. Instituições envelhecem quando deixam de dialogar com o futuro. E o futuro da medicina começa pela valorização das novas gerações.
Temos ainda importantes projetos editoriais. Esperamos entregar à comunidade médica e à sociedade duas obras de grande significado histórico e institucional: “Os médicos gaúchos e a política” e “Propostas para qualificar o ensino médico”. O primeiro livro, sob a liderança dos Ac. Germano Bonow e Ac. Maria Helena Lopes, buscará resgatar a presença marcante dos médicos na vida pública do Rio Grande do Sul e do Brasil, recordando que muitos dos nossos colegas compreenderam que cuidar da saúde coletiva também exige participação cidadã. O segundo, sob a liderança do Ac. Darcy Pinto Filho, nasce da convicção de que discutir a formação médica é hoje um dever moral ao qual a ASRM não pode e não deve se furtar.
Por fim, mas não menos importante, em outubro, comemorando o Dia do Médico, teremos nossa exposição de fotografias, dessa vez sob a coordenação do Ac. Jorge Milton Neumann.
Vivemos um momento delicado na formação médica brasileira. A expansão desordenada de escolas médicas, muitas vezes desacompanhada da indispensável qualificação estrutural e docente, ameaça comprometer aquilo que a sociedade mais espera de um médico: competência técnica, discernimento ético e sensibilidade humana.
Não se trata de elitizar o ensino, nem de restringir oportunidades. Trata-se de preservar a qualidade da medicina e, consequentemente, a segurança da população. Um país pode recuperar estradas, edifícios ou indicadores econômicos. Mas os danos causados por uma formação médica inadequada frequentemente são irreversíveis, porque atingem diretamente a vida humana.
A nossa Academia não pode silenciar diante dessa realidade. Como disse certa vez Oswaldo Cruz: “Sem esmorecer, para não se desmerecer.”
Não nos cabe apenas observar; cabe contribuir. Queremos participar desse debate com equilíbrio, seriedade e espírito público. Queremos oferecer propostas, produzir conhecimento e colaborar para que o Brasil reencontre parâmetros mais seguros e mais responsáveis na formação de seus médicos.
A medicina atravessa transformações extraordinárias. A inteligência artificial, a medicina de precisão, os avanços genéticos e tecnológicos modificam rapidamente a prática médica. Contudo, nenhuma inovação substituirá aquilo que continua sendo essencial: o olhar humano do médico diante do sofrimento de seu paciente.
É precisamente aí que as Academias permanecem indispensáveis. Porque são espaços de memória, reflexão e defesa permanente dos valores civilizatórios da medicina.
Minhas amigas e meus amigos,
Nenhuma gestão é construída individualmente. Agradeço aos colegas da diretoria que compartilham comigo trabalho, ideias e responsabilidades. Agradeço igualmente aos Ac. José Chatkin, Jorge Neumann, Paulo Prates e Valter Duro Garcia, que, entendendo ter chegado ao término de seu ciclo de trabalho em nosso grupo, abriram generosamente espaço para a natural renovação do quadro diretor. Desejo também agradecer aos nossos confrades e confreiras que, com sua presença e participação, mantêm viva esta instituição, que se encaminha, a passos largos, para completar seus primeiros quarenta anos. Por fim, e não menos importante, agradeço ao Ac. Nilson May, que intermediou as parcerias que aportarão R$ 74.000,00 à ASRM neste ano.
Graças à essa parceria o Ac. Valter Duro Garcia sugeriu – e a diretoria aprovou – que a anuidade desse ano não sofresse reajuste.
Ao aceitar mais este mandato, reafirmo minha confiança no papel histórico da nossa Academia. Continuaremos defendendo uma medicina científica, ética, humanista e socialmente comprometida.
Que jamais nos falte coragem para enfrentar os desafios do presente, serenidade para preservar o que merece ser preservado e lucidez para preparar o futuro.
E que possamos seguir honrando a grande tradição da medicina gaúcha, não apenas pelo brilho intelectual de seus nomes, mas pela permanente capacidade de servir à sociedade com dignidade, conhecimento e humanidade.
Muito obrigado.