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Homenagem Póstuma para Acadêmico Honorário Arnaldo da Costa Filho

Ilustre Presidente

Prezados Confrades, Convidados e Familiares do 

Dr. Arnaldo da Costa Filho que nos honram com suas presenças

 “A vida é repleta de contrastes e há tempo para tudo”.

Assim é que, “há tempo de falar e de calar; há tempo de nascer e de morrer”.

Esse é o momento de falar e lembrar de nosso querido confrade Arnaldo José da Costa Filho, que nos deixou no dia 13 último, aos 102 anos de idade.

Nascido no dia dedicado à São Miguel, 29 de setembro de 1922, em Porto Alegre, cursou o Colégio Militar na capital e terminou os estudos secundários também no Colégio Militar do Rio de Janeiro. No caso específico do Dr. Arnaldo, sua família valorizava a educação de qualidade e a formação moral e intelectual. Ele mesmo, ao longo da vida, manteve traços dessa formação: postura ética, respeito à hierarquia quando necessário, capacidade de liderança e disciplina profissional, características que ficaram evidentes tanto em sua carreira médica quanto em suas relações pessoais e institucionais.

No ano de 1942, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde fez parte do Centro Acadêmico Sarmento Leite e foi fundador da Associação Desportiva dos Alunos da Faculdade de Medicina (ADAFM), e também treinador da equipe de futebol, tricampeã universitária. 

Graduado em 1947, foi colega e também amigo do pai de nosso confrade Nilton Brandão da Silva, recebeu o número 378 do Conselho Regional de Medicina, especializou-se em Traumatologia e Ortopedia, Medicina do Trabalho e Fisiatria. 

Trabalhou no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS) por cerca de 30 anos. 

No ano de 1948, foi contratado pelas empresas Renner como primeiro médico de clube de futebol profissional do Estado do Rio Grande do Sul, lembrado ainda hoje pelo seu pioneirismo. Esse time de futebol, em 1954, sagrou-se campeão invicto nos campeonatos porto-alegrense e no Gauchão. Atuou também nos clubes esportivos São José, Cruzeiro e Internacional, Grêmio Náutico Gaúcho e Grêmio Náutico União, na capital, e Floriano (de Novo Hamburgo). E ainda na Federação Gaúcha de Futebol foi médico de diversas seleções não só de futebol, mas a de voleibol, de basquete e pugilismo. Foi um verdadeiro pilar na estruturação da Medicina esportiva no Rio grande do Sul; considerado por muitos como um “mago”, por tratar atletas em uma época que não havia substituições durante os jogos.

Exerceu a função de professor da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ESEF-UFRGS), sendo o idealizador dessa Escola, inaugurada em 1962, onde lecionou a disciplina: Anatomia Aplicada à Educação Física e aos Desportos, inovando com a introdução das aulas práticas feitas no Instituto Anatômico da Faculdade de Medicina da UFRGS. Também foi professor na mesma temática no Instituto Porto Alegre da Rede Metodista de Ensino (ESEF-IPA), organizando esse curso.

Sua experiência acumulada nesses anos resultou no trabalho científico intitulado “Lesões Meniscais do Joelho” — que apresentou em congresso e que foi fundamental, um divisor de águas, para estabelecer os prazos mínimos para o retorno de atletas às atividades esportivas após a cirurgia. Outro destaque seu foi o trabalho sobre o “Tumor de Célula Gigante do Menisco do Joelho” que foi catalogado como o único caso na literatura médica mundial. Ele acompanhou o caso por 32 anos para confirmar um tumor primitivo e não metastático. 

Dr. Arnaldo também foi membro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia e da Irmandade de Nossa Senhora dos Navegantes de Porto Alegre, sócio fundador do Conselho Regional de Medicina (CREMERS), da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e da UNIMED-Porto Alegre, tendo sido jubilado por todas elas.

No entanto, a sua vida não se restringiu à medicina, ciência, esporte e educação, foi além e por seu talento musical, agraciado com uma potente voz de barítono cantava muito, tendo predileção pelas músicas de Lupicínio Rodrigues, seu amigo de longa data. Aos 99 anos, Dr. Arnaldo gravou um vídeo emocionante onde interpreta  “Estão Voltando as Flores” — famosa na voz de Lupicínio Rodrigues(embora a composição original seja de Paulo Soledade) — é de uma sensibilidade tocante e carregado de simbolismo, pois essa é mais que uma canção, é uma declaração de esperança, renovação e beleza diante da passagem do tempo.

Quando questionado sobre a sua boa saúde dizia “nunca tomei um gole de álcool, nem botei um cigarro na boca. Sempre pratiquei bastante esporte, me alimentei de forma saudável e nunca fui homem de noitada…”.

Como confrade assíduo dessa Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, não faltava reuniões, sempre impecável e elegantemente trajado.

Deixará saudades em todos nós e um legado positivo como ao que deu aos jovens médicos anos atrás: “vocês vão entrar na melhor profissão que existe, uma das primeiras. Então, sempre tratem as pessoas com carinho, pois a satisfação que se tem quando conseguimos resolver o problema do paciente é impagável”. 

Dirijo-me aos seus familiares filha, genro e neto, e expresso o nosso agradecimento em nome dessa Academia, por termos tido o privilégio da convivência de nosso confrade Arnaldo e que sua memória permaneça viva entre nós, como um exemplo a ser seguido.

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Homenagem prestada pela Acadêmica Maria Helena Itaqui Lopes (Oradora da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina)

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Nome da Filha: Adriana Costa

Genro: João Alfredo Fracasso

Neto: João Carlos Medina Neto

Irmã; Alice Costa Porto

Sobrinhos: Aline Porto Nassif e Diogo Nassif