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Cadeira 12

Carlos Huberto Wallau

Um dos 21 pioneiros signatários porto-alegrenses da ata inaugural da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, o acadêmico Carlos Huberto Wallau credita o mérito superlativo pela fundação da entidade ao incansável ativismo dos médicos Pombo Dornelles e Telmo Kruse, mas não esquece de frisar o que chama de “apoio fundamental e vital” do colega Rubens Maciel — em cuja residência, aliás, realizou-se o segundo encontro acadêmico de formação da Academia, em 12 de junho de 1990.

Ocupante da cadeira número 12, mas já ungido membro Emérito da Academia, o médico patologista natural da capital gaúcha, Carlos Huberto Wallau, recorda que o evento memorável serviu mais para congregar os colegas e escolher novos integrantes do que para debater a importância da criação de uma Academia de Medicina no estado, que todos ali consideravam unanimidade. Era então preciso completar a nominata de 40 acadêmicos na capital e outros 20 médicos do interior para formar uma representação em nível de estado de 60 proeminentes acadêmicos, contou ele em entrevista concedida poucos dias depois de ter completado 90 anos de idade, em 23 de agosto de 2019, no seu apartamento decorado com móveis e objetos antigos, juntados na caminhada longeva da existência, como disse.

Nos acadêmicos pioneiros e em seus sucessores, de brilhantes jornadas profissionais, para ele deve preponderar, acima de tudo, a prática da ética. Na sua definição, a compostura ética é primordial na qualificação de um componente aceito na Academia.

Sua longuíssima e reconhecida trajetória profissional foi iniciada logo após a formatura na chamada Turma Cinquentenária da Faculdade de Medicina de Porto Alegre em 17/12/1953. Os formandos escolheram Celso Aquino como paraninfo, constando, entre os outros homenageados, os nomes dos professores Décio Martins Costa, Ivo Corrêa Meyer, Álvaro Barcellos Ferreira e Paulo Tibiriçá, todos patronos da Academia, além de Rubens Maciel, duas vezes titular.

Em seguida, o Dr. Wallau iniciou a prática profissional nos hospitais do interior gaúcho em de Roca Sales e Feliz. Na capital, atuou no serviço de Oncologia e Cirurgia Menezes Wallau, pertencente à família e sediado no Hospital São Francisco, ao mesmo tempo em que ocupou a cadeira docente em Anatomia Patológica na Faculdade de Medicina. O Serviço de Oncologia e Cirurgia foi o primeiro na América Latina a contar com curieterapia, conforme pesquisa de Neiro Motta. Criado por seu avô materno, Moysés Menezes, era chefiado por seu pai Huberto Wallau, que tinha, como primeiro assistente, seu tio, Ruben Menezes. O Serviço contava também com a 17ª Enfermaria da Santa Casa, e estendia atendimento idêntico a todos os pacientes da Irmandade, inclusive indigentes, na área particular do próprio Serviço. 

O Dr. Wallau passou pelo Hospital de Pronto Socorro municipal (HPS), lecionou na Faculdade de Odontologia da PUCRS e na Escola de Enfermagem da UFRGS; foi professor de Pós-graduação em Pneumologia da UFRGS e reorganizou, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o serviço de Anatomia Patológica, que dirigiu por seis anos.

Presidiu, por dois períodos, o departamento de Patologia da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) e foi eleito, por aclamação, o primeiro presidente da Associação de Patologistas do Rio Grande do Sul (APERGS). Com a Dra. Gisela de Sousa del Pino, havia criado, em 1965, o Laboratório de Anatomia Patológica de Porto Alegre. A crescente demanda no laboratório exigia dedicação exclusiva e precipitou sua aposentadoria na UFRGS. Ao completar 30 anos de atividade, o Laboratório de Anatomia Patológica encerrou suas atividades, preservando o arquivo. O Dr. Wallau aprimorou-se na patologia transoperatória. A convite do Departamento de Cirurgia, promoveu, em caráter voluntário, a sistemática de sessões anatomoclínicas. Foi convidado pelo professor Fernando Carneiro para assumir a Patologia Pulmonar no Pavilhão Pereira Filho. Nos dias mais recentes, às vésperas do trintenário da Academia, em suas rememorações não predominam só os bons legados pretéritos, como livros raros de autoria do homônimo avô paterno Carlos Wallau que ele doou à biblioteca da entidade. Entre eles, uma preciosidade: a obra Tese, editada pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1885, em que prega o uso de anestesia em cirurgias, contra os céticos e descrentes de então.

É casado com Ingrid Berner Wallau e pai de quatro descendentes.