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Acadêmico Flávio Kapczinski defende atenção à saúde mental em desastres climáticos durante sessão no Senado Federal

Foto: Carlos Moura/ Agência Senado

O Acadêmico Titular da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Dr. Flávio Kapczinski, participou nesta segunda-feira, 17 de junho, de uma Sessão de Debates Temáticos no Plenário do Senado Federal. O encontro teve como pauta o papel da ciência, da tecnologia e da inovação na prevenção e mitigação de desastres naturais, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, e prestou homenagem às vítimas da tragédia.

Convidado a representar a Academia Nacional de Medicina e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde atua como pró-reitor de pesquisa, o Dr. Kapczinski destacou a urgência de incorporar o cuidado com a saúde mental nas estratégias de resposta a eventos extremos. “Doenças mentais não são abstratas: afetam o cérebro, e o cérebro está no corpo. Trata-se de um problema de saúde pública que exige atenção integral”, afirmou.

Em sua fala, o Acadêmico alertou para os impactos duradouros dos transtornos mentais e suas repercussões físicas, como o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Citando dados nacionais, apontou que o Rio Grande do Sul apresenta a maior taxa de suicídio do país — 12,8 casos por 100 mil habitantes, quase o dobro da média brasileira. Entre os mais afetados estão jovens adultos que enfrentam dificuldades de inserção no mercado de trabalho.

Segundo Kapczinski, desastres climáticos como o que devastou o estado em 2024 agravam esse cenário silencioso. Ele compartilhou os primeiros resultados de pesquisas em andamento na UFRGS, iniciadas já nos primeiros dias da enchente, que identificam os fatores de maior impacto psicológico nas populações atingidas. Além da perda material, o envolvimento direto em resgates, a ausência de apoio emocional e condições de vulnerabilidade socioeconômica ampliam os danos à saúde mental.

Durante a sessão, o Acadêmico apresentou também a Rede Nacional de Saúde Mental, iniciativa coordenada pela UFRGS com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A proposta visa, pela primeira vez, mapear a prevalência de transtornos psiquiátricos em todo o território nacional — incluindo populações universitárias, onde os índices de sofrimento psíquico e suicídio também preocupam.

Kapczinski defendeu ainda o investimento em tecnologias disruptivas como caminho para ampliar o acesso a diagnóstico e tratamento em regiões afastadas. Destacou o potencial de ferramentas como inteligência artificial, biotecnologia e plataformas digitais na modernização da atenção à saúde. Entre os projetos em desenvolvimento pela universidade estão exames de sangue capazes de diferenciar transtornos como autismo e bipolaridade, bem como aplicativos móveis que agilizam o acesso ao SUS e organizam o cuidado.

“A tecnologia pode estar onde nós, profissionais de saúde, nem sempre conseguimos estar. Precisamos usá-la para levar acolhimento, diagnóstico e prevenção a quem mais precisa — especialmente em tempos de crise climática”, concluiu.

Abaixo, o vídeo com a palestra completa do Acadêmico no Senado Federal.