Formado em Medicina na UFRGS em 1977, nasceu em Porto Alegre em 1953 e é o primogênito de Manuel Adolpho May Pereira, médico e professor universitário, e Verônica Ruttkay Pereira, bióloga e professora universitária. Morou no Rio de Janeiro e em Pittsburgh por causa dos estudos de pós-graduação do seu pai e, exceto nos períodos citados, sempre foi aluno do Colégio Anchieta. Seus dois avós eram médicos: Ladislau Ruttkay, vindo de Budapeste já formado, e Oscar Bernardo Pereira, professor de Microbiologia na FAMED-UFRGS, expoente nacional nos estudos da tuberculose, assim como seu irmão, Patrono da Academia, o Professor Manuel Pereira Filho. Testemunhou os predicados acadêmicos e a qualidade docente do pai, Manuel, e usou-os como farol a apontar caminhos.
Com 16 anos de idade, obteve o Certificado de Proficiência em Inglês do Ann Arbor Language Institute da Universidade de Michigan e, dois anos depois, já no primeiro ano do curso de Medicina, começou como professor de Inglês em curso secundário e técnico noturno de Porto Alegre. Foi sua iniciação docente e continuou por mais cinco anos, até entrar no Internato do curso médico. Na vida médica, foi monitor de Microbiologia e de Pediatria, e a primeira publicação foi sobre meningites na infância, escrita a quatro mãos com a Professora Newra Tellechea Rotta.
Imediatamente após o término da Residência Médica em Pediatria, tornou-se Clinical and Research Fellow (1980–1981) no Serviço de Neonatologia e no Laboratório de Respiração Neonatal do Health Sciences Centre da Universidade de Manitoba, em Winnipeg (Canadá), chefiados pelo Professor Henrique Rigatto, autoridade mundial no estudo da respiração em neonatos. Também trabalhou com o Professor John Bowmann, pioneiro nos estudos da eritroblastose fetal e desenvolvedor de uma das primeiras imunoglobulinas anti-D. A primeira apresentação oral em congresso aconteceu em 1981, na Society for Pediatric Research Annual Meeting em San Francisco, Califórnia, com resultados de estudo sobre a estrutura dos gases alveolares em prematuros.
Obteve o Título de Especialista em Pediatria em 1982 e o Título de Especialista em Neonatologia em 1992. Também em 1982, convidado pelo Professor Renato Machado Fiori, tornou-se professor auxiliar de Pediatria na então FAMED da PUCRS, dedicando-se à Neonatologia. Aproximadamente quatro anos depois (1986), no que foi, após o período de governos militares, o primeiro concurso público de entrada na carreira docente (Professor Auxiliar) no Departamento de Pediatria da FAMED-UFRGS, enfrentou quarenta e cinco candidatos para uma vaga e adjudicou-se do primeiro lugar, iniciando sua trajetória como docente na Casa de Sarmento Leite, continuando até hoje com seus compromissos nas duas Escolas Médicas (UFRGS e PUCRS).
Em 1989, retornou à Winnipeg para organizar com o Professor Henrique Rigatto os vários dados de estudos sobre respiração de recém-nascidos prematuros, gerando sua primeira publicação no exterior na qualidade de primeiro autor (Biology of the Neonate), ainda pertencendo à equipe do Health Sciences Centre em Winnipeg, Canadá. Nos anos posteriores, foi coautor em vários trabalhos apresentados em congressos locais e nacionais, versando sobre problemas respiratórios do recém-nascido, infecções e icterícia neonatais.
Em 1999, com colegas de outros países e com participação da esposa, Maria Beatriz, realizou estudo multicêntrico publicado no exterior e que auxiliou no embasamento da mudança do esquema de administração da amoxicilina para 2x/dia (em vez de 3x/dia), no tratamento da faringotonsilite estreptocócica. Concluiu o Mestrado em 2003, estudando o Teste das Microbolhas Estáveis, exame de beira de leito para determinar a existência de surfactante no aspirado gástrico de recém-nascidos e predizer a ocorrência da Doença da Membrana Hialina, com resultados apresentados no 17th International Workshop on Surfactant Replacement na cidade de Cagliari, Itália. Ainda em 2003, novamente junto com Maria Beatriz, foi responsável por uma sequência de apresentações em congressos e publicações documentando a prevalência de bactérias na orelha média de crianças com otite média com efusão e isolando, pela primeira vez no Brasil, o Alloiococcus otitidis.
A tese de Doutorado, defendida em 2009, versou sobre a intervenção precoce versus intervenção tardia com lavado broncoalveolar e surfactante em modelo experimental de síndrome de aspiração de mecônio e foi publicada em 2015, no Journal of Perinatal Medicine. Nos últimos anos, tem escrito vários capítulos de livros e artigos em Programas de Educação Continuada, na área da Neonatologia e na especialidade de Otorrinolaringologia Pediátrica. Os mais recentes aconteceram entre 2022 e 2024, quando publicou Pneumococcal prevalence in the middle ear and nasopharynx of children with acute otitis media no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology e Otopathogens in the middle ear and nasopharynx of children with recurrent acute otitis media no International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology.
São 40 capítulos de livros publicados, 21 artigos completos publicados em periódicos, 32 resumos publicados em anais de congressos e 32 apresentações de trabalho em eventos médicos. Soma mais de 100 participações como conferencista, debatedor, painelista, membro de mesas-redondas e coloquiatra, 46 participações em bancas para seleção de médicos residentes em Pediatria ou Neonatologia e nove participações em bancas de mestrado e doutorado. É também Membro Fundador e Ativo do Comitê de Neonatologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul e já foi seu Presidente.
O curso de Medicina proporcionou conhecer a esposa, Maria Beatriz, colega de turma e companheira de uma vida. Ela é otorrinolaringologista infantil e pioneira na especialidade. Luciana, sua primogênita, laureada em Administração pela UFRGS, fez o MBA na Universidade de Michigan e hoje é Diretora na Dell Technologies em Austin (Texas), onde reside com o esposo e filhos. Denise, a caçula, graduou-se em Medicina na PUCRS, é otorrinolaringologista infantil, Mestre e Doutora em Pediatria pela UFRGS e mãe do terceiro netinho. Juntamente com a esposa e a filha, escreveu 11 capítulos de livros, tendo dois estudos publicados recentemente no exterior e o reconhecimento que veio com o convite para escrever, a seis mãos, capítulo no Textbook of Otitis Media, editado em língua inglesa pela Springer International Publishing (Switzerland) e lançado no final de 2023.
Recebeu vários prêmios, como em 1990 e 2006, quando obteve o Prêmio de Melhor Pesquisa nos Congressos Brasileiros de Pediatria, sendo este último atividade conjunta da Academia Brasileira de Pediatria. Em 1999, recebeu, junto com a esposa, o Prêmio Profa. Maria Clara Mariano da Rocha (edição única), para o Melhor Trabalho Original, da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul. Em 2003, novamente em conjunto com Maria Beatriz, foi distinguido com o Prêmio de Melhor Trabalho em Otologia, no III Congresso Triológico de Otorrinolaringologia da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço.
Segundo o livro 125 anos Faculdade de Medicina UFRGS, publicado em 2023, é o professor mais frequentemente escolhido como Paraninfo no curso de Medicina daquela instituição no século XXI. Foi Paraninfo de turmas médicas em sete ocasiões, Professor Homenageado em seis vezes e escolhido frequentemente para ministrar a Aula da Saudade. Já na Escola de Medicina da PUCRS, foi Professor Homenageado por duas vezes e uma vez Homenageado de Honra, tendo sido diversas vezes escolhido por residentes em Pediatria e Neonatologia como Melhor Professor. Em 2007, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul outorgou-lhe a Medalha Irmão Afonso, por relevantes serviços prestados.
Fora da vida médica, a influência do Vô Ruttkay levou-o a receber um pequeno veleiro com 12 anos de idade. O iatismo permitiu-lhe competir e vencer no Uruguai, Argentina, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, participando de campeonatos brasileiros, sul-americanos e em um mundial. Continua navegando, em solitário ou com a família, tendo sido Comodoro do Clube dos Jangadeiros e atual Presidente do seu Conselho Deliberativo. Por suas contribuições ao esporte da vela, foi premiado pela Marinha do Brasil com a Medalha Amigo da Marinha (2010) e com a Medalha Almirante Tamandaré (2017).