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DEZ. 2020 | EDUCAÇÃO SOCIAL EM SAÚDE: Importância do sono para se viver melhor

Há notícias ruins e preocupantes sobre o ronco e a apneia do sono. Mas também existem novidades boas e animadoras, como a médica e professora Michelle Lavinsky Wolff ensinou neste sábado (05/12/2020), em palestra virtual na plataforma Zoom. A 11ª edição do Curso de Educação Social em Saúde do Programa Novos Talentos, da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina intitulou-se “Ronco e Apneia do Sono: o que saber para viver melhor e evitar complicações”.

Primeiramente, roncar não é normal, ao contrário do que se pode imaginar desdenhando a gravidade do barulho noturno, por vezes afeito a galhofas e piadas. O assunto é sério: ronco é sinal de doença e não apenas pela estridente manifestação sonora na cama.

Ronco é obstrução da respiração; é alerta de parada respiratória.

Ter apneia do sono – leve, moderada ou severa- com obstrução das vias respiratórias durante o ato de dormir, pode ser indício de consequências mais graves que levam à perda da qualidade de vida, a situações patológicas indesejáveis como AVC, e mesmo à mortalidade, no caso de um mal súbito, por exemplo.

Obesidade e sedentarismo, ingestão de álcool e sedativos, obstrução nasal, circunferência do pescoço, formato do queixo, história familiar, desvio do septo nasal, diabetes, hipertensão arterial e envelhecimento estão entre causas do ronco e da apneia do sono.

Há estimativas acerca da prevalência da doença de 20% em pessoas de meia idade e de 60 % dos idosos. Homens são mais atingidos que mulheres, geralmente. Conhece-se, do mesmo modo, a grande incidência -de até 80%- em motoristas de veículos pesados, o que talvez explique os acidentes de trânsito com caminhões.

As notícias boas para tratamento e cura, no entanto, são muitas e variadas. As alternativas passam por intervenções cirúrgicas, aparelhos de pressão de ar (CPAP), ortodônticos intraoral, e cinco ‘dicas’ valiosas, que ela enumerou:

  • 1. higienizar o sono (sem uso de aparelhos de TV e celular uma hora antes de dormir, por exemplo);
  • 2. diminuir o peso corporal;
  • 3. evitar álcool e sedativos;
  • 4. dormir de lado e não de barriga para cima;
  • 5. evitar o cansaço extremo – o que, como confessou, nem ela sabe bem como fazer.

Existe ainda a complementaridade do trabalho envolvendo vários tipos de profissionais, como fonoaudiólogos e dentistas, auxiliando a tratar das patologias, em busca do sono melhor.

Antes de tudo, porém, é necessário e imprescindível investigar corretamente cada caso, para se poder individualizar o tratamento.

Conforme a médica, a polissonografia é um dos exames fundamentais para o diagnóstico correto. Mas a primordial avaliação deve ser a observação profunda das vias respiratórias, através de equipamento dotado de microcâmera que investiga toda região. Mais ainda: o tamanho do nariz, o volume das amígdalas e a posição da língua influenciam na análise do quadro todo.

CONTRIBUIÇÃO MULTISSETORIAL

À apresentação brilhante e didática da médica, tutorada pela Acadêmica Themis Reverbel da Silveira, agregou-se um diferencial que enriqueceu expressivamente o curso. Foram as indagações complementares, via chat ou intervenções ao vivo dos acadêmicos, que tornaram a aula participativa e multiprofissional.

A própria tutora e gastroenterologista Themis, por exemplo, levantou a questão da íntima associação da esteatose hepática resultante do fígado gorduroso com o ronco e a apneia.

A Acadêmica Mirian da Costa Oliveira sugeriu vincular à temática a incomum doença da acromegalia (produção excessiva de hormônio do crescimento), cujos pacientes registram apneia do sono em 50% dos casos.

O Acadêmico Sergio de Paula Ramos citou a questão da adição e apneia do sono em pacientes com quadro de depressão.

O Acadêmico Jacó Lavinsky contou que pesquisa a influência da ronco no aparecimento de neovasos sob a retina.

O presidente da entidade Carlos Henrique Menke lembrou que o ronco é um desconforto sempre relatado entre os cônjuges e indagou a respeito de eventuais pesquisas sobre separação de casais insatisfeitos com o barulho do ronco. Mas, como respondeu a dra. Themis, não existe um estudo qualificado sobre o tema.

Todo o evento, com a íntegra editada, é acessível no YouTube para consultas e construção de um acervo importante da Academia sobre saúde pública compartilhado com a comunidade em geral.