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JUL. 2026 | Especialistas discutem avanços da modulação cerebral em Reunião Científica da ASRM

A Reunião Científica da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), realizada na manhã de sábado, 25 de julho, no auditório do Cremers, reuniu dois especialistas para discutir diferentes técnicas de modulação cerebral ainda cercadas por estigmas. O encontro partiu de uma questão central: “Modulação do funcionamento cerebral no controle de doenças neuropsiquiátricas: é possível?”.

Coordenador da Reunião, o Acadêmico Paulo Belmonte de Abreu recordou que o uso de impulsos elétricos com finalidade terapêutica remonta à Antiguidade. “Desde 2750 a.C., já se utilizavam o bagre do rio Nilo, o peixe-elétrico e o peixe-torpedo como fontes de estímulo cerebral”, relatou.

No Rio Grande do Sul, dois patronos de cadeiras da ASRM estiveram entre os pioneiros: Eliseu Paglioli, da cadeira 22, e Jacinto Godoy Gomes, da cadeira 34. Ambos utilizaram o aparelho de eletrochoque conhecido como ECT. Considerado o precursor da eletroconvulsoterapia no tratamento da esquizofrenia, o neurologista italiano Ugo Cerletti (1877–1963) enfrentou fortes contestações em uma época na qual ainda não havia medicamentos eficazes e os recursos anestésicos eram incipientes.

A eficácia da técnica foi abordada pelo primeiro palestrante, o psiquiatra Marco Antônio Caldieraro, na conferência “Estimulação cerebral em doenças neuropsiquiátricas: novas formas de modulação da atividade cerebral”. O especialista apresentou procedimentos minimamente invasivos que vêm constituindo um novo campo de atuação, ainda sem uma denominação científica formal, mas que pode ser compreendido como uma espécie de “neuropsiquiatria intervencionista”.

O segundo convidado, o neurocirurgião Eliseu Paglioli Neto, apresentou a palestra “Cirurgia da epilepsia: uma antiga alternativa como opção inovadora”. Segundo ele, a técnica cirúrgica é segura e eficaz no tratamento de casos graves de epilepsia.

Paglioli Neto integra um grupo pioneiro de pesquisa do qual também participa o Acadêmico Jaderson Costa da Costa e que já contou com a contribuição da Acadêmica Emérita Lígia Coutinho. A atuação da equipe resultou em avanços cirúrgicos com repercussão internacional.

Entre os progressos apresentados está o mapeamento preciso de áreas específicas do cérebro, que permite realizar intervenções direcionadas, preservando funções neurológicas importantes. Fotografias e vídeos exibidos durante a palestra ilustraram casos tratados com sucesso por meio desses procedimentos.

“É gratificante e surpreendente acompanhar a evolução de pacientes que apresentavam crises epilépticas contínuas e persistentes, incapazes de manter uma rotina de estudos e convívio social, e que recuperaram essas condições. A gente muda vidas”, afirmou.

Ao final das exposições, os palestrantes responderam às dúvidas e aos questionamentos do público, que contou também com a presença de alguns de seus mestres.