
A Sessão Cultural da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), realizada na última terça-feira, 19 de maio, teve como tema o colecionismo de utensílios de vidro, especialmente compoteiras, em apresentação conduzida pela Acadêmica e ex-presidente da entidade, Miriam da Costa Oliveira.
O interesse da professora Miriam pelo colecionismo começou ainda na adolescência. Segundo relatou durante a conferência, a paixão pelos objetos surgiu a partir de uma compoteira recebida de presente de uma vizinha da família, natural de Pelotas. A peça despertou o interesse também de sua avó, que adquiriu um exemplar semelhante. Pouco tempo depois, Miriam compraria uma terceira compoteira em um antiquário de Porto Alegre, iniciando uma coleção que se expandiria ao longo das décadas.
Casada aos 21 anos, ela transformou o hábito de visitar antiquários e colônias do interior em um de seus passatempos preferidos, em busca de utensílios domésticos de vidro muitas vezes esquecidos em galpões e antigas residências, como compoteiras, potes, copos, açucareiros e manteigueiras.
O diretor de Cultura da ASRM, Acadêmico Cláudio Marroni, definiu a trajetória da conferencista como alguém “inoculada pelo vírus do colecionismo para sempre”. Segundo ele, a apresentação teve caráter “peculiar e sui generis”.
Com apoio de imagens de sua coleção particular – estimada em cerca de 150 compoteiras coloridas expostas em armários envidraçados de sua residência – Miriam apresentou aspectos históricos e culturais relacionados ao vidro, abordando diferentes usos, padrões e a evolução dos processos de fabricação do material, distintos da produção do cristal.
Durante a conferência, a acadêmica também recorreu a depoimentos e conceitos sobre colecionismo do Acadêmico Valter Duro Garcia, extraídos do livro Os Médicos e as Artes do RS, publicado pela ASRM.
Viajante frequente, Miriam da Costa Oliveira revelou ainda manter outras coleções relacionadas às experiências acumuladas ao redor do mundo. Tíquetes de viagem, folders de exposições, ímãs e prospectos são organizados e catalogados rigorosamente. Parte dessas memórias inspirou a publicação do livro Minha Paris e Um Pouco Mais, lançado no ano passado, no qual reúne fotografias e impressões sobre Paris e outras cidades francesas.