O título da sessão cultural da ASRM desta terça-feira (17) não poderia ser mais apropriado para definir o próprio convidado do evento on-line, o Acadêmico Paulo Belmonte de Abreu. “Desenhador de Almas” foi a expressão descoberta pela aluna do Colégio Aplicação, Tânia Baibich, para designar o colega que desenhava o tempo todo imerso em uma atividade que ilustrava mais que o aparente, traçando detalhes do lado mais bonito das pessoas. “A caricatura por si só, por vezes, desgosta quem é desenhado em sua caracterização visual menos favorável”, explicou ele. A alma, se presume, não tem tantas suscetibilidades.
Psiquiatra brilhante em sua profissão, ninguém estranha que ele mais ouça que fale em eventos sociais, pois faz da atenta observação dos seres humanos e seus ambientes os rabiscos que mentaliza para o próximo desenho. Ou anota impressões, quem sabe, para o próximo paciente.
É variado o estilo do desenhador – que não se enxerga desenhista no nível profissional do primo Neltair Rebés de Abreu, o conhecido cartunista Santiago, e do amigo que vive em São Paulo, Carlos Alfredo Simch da Silva, o Alf, irmão do igualmente renomado Edgar Vasques. Abreu também bebeu nas fontes criativas da pop art norte americano de Andy Warhol, cuja influência aparece em muitos trabalhos de retratos de colegas antigos e atuais, parentes e amigos a quem doa sua produção.
Foi, ainda, aluno da saudosa artista plástica Maria Lídia Magliani, de projeção internacional, que plantou valiosas sementes de arte em sua mente.
Influenciado pelo pai e compartilhando o gosto pelo desenho também com o irmão arquiteto, o Acadêmico desenhou cartazes, produziu posters e adesivos de carros, elaborou ilustrações para campanhas de saúde e criou marcas, por exemplo, para a ATM 77, dos graduados em Medicina da UFRGS, em 1977.
Arriscou histórias em quadrinhos HQ caseiras em que a mãe era super-heroína. E caricaturou um professor em um episódio lembrado até hoje pelos estudantes que estavam no auditório naquele dia. Abreu desenhou em grande formato no quadro negro a figura do distraído professor que ministrou a aula toda sem se dar conta da imagem às costas, impactando a plateia que só conteve o riso por respeito hierárquico ao mestre.
Prestigiada por mais de 40 internautas no final de tarde, com o diretor de Cultura da ASRM Cláudio Marroni intervindo desde a Itália e colegas confessando que suspenderam agendas para participar, a apresentação de Abreu surpreendeu a maioria que não sabia do seu segundo ofício, como definiu o Acadêmico Nilson Luiz May.