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MAR. 2026 | Reunião Científica ortopédica e artística

A Reunião Científica da ASRM do último sábado, 28 de março, definida pela Acadêmica Maria Helena Itaqui Lopes como de cunho “ortopédico artístico”, poderia ser considerada, também, como aula de atualização cultural e médica.

O Acadêmico Osvandré Lech iniciou sua apresentação sobre “Ortopedia e ombro: tratamentos recentes desta complexa articulação” com uma provocação, na qual a ortopedia não era mais a mesma que os acadêmicos conheciam dos bancos estudantis. “Tudo mudou”, assegurou, realizando um resgate histórico da trajetória da ortopedia no mundo e no Rio Grande do Sul.

Detalhou a evolução tecnológica que ampara a nova abordagem da especialidade, utilizando procedimentos minimamente invasivos, maior precisão, menor tempo de internação e recuperação acelerada. Mencionou tecnologias como a robótica, inteligência artificial e materiais biocompatíveis, que transformam o diagnóstico e o tratamento de lesões em avanços que projetam, ainda, materiais biocompatíveis, que reduzem o risco de rejeição e infecção, e também a biologia molecular e terapias regenerativas, com o uso de células-tronco para o tratamento de lesões musculoesqueléticas.

O Acadêmico ainda exibiu vídeos de seus pacientes, antes e depois das intervenções ortopédicas, mostrando a recuperação de movimentos de membros superiores. Advertiu que dor no ombro não é doença de velho e que nem sempre a cirurgia é a solução. E anunciou, como novidade da ortopedia, o foco na força muscular por meio de sessões de pilates, treinos em academias de ginástica e aulas com personal trainer. “A força muscular contribui, inclusive, para a vascularização cerebral”, afirmou.

LIÇÃO DE ANATOMIA

O Acadêmico Carlos Roberto Schwartsmann ilustrou sua exposição, intitulada “A arte de pintar e a ortopedia”, projetando imagens de obras de renomados pintores que criaram quadros famosos com figuras com deformidades e deficiências físicas em braços, mãos e pés. Entre os artistas, Caravaggio, Botticelli, Delacroix, Van Dyck, Raphael, Bruegel e Velázquez. Este era famoso por retratar anões, bufões e pessoas com deficiências que viviam no palácio real. Suas obras, como O Anão Francisco Lezcano (ou “El Niño de Vallecas”) e Sebastián de Morra, são notáveis por tratar essas figuras com nanismo com dignidade, humanidade e realismo, em contraste com a visão superficial da época.

O Acadêmico Carlos Schwartsmann dissecou A Lição de Anatomia do Dr. Tulp (1632), obra-prima barroca de Rembrandt van Rijn, focando recortes dos membros superiores do corpo sem vida que era estudado pelo médico. “Como ladrões eram punidos com a perda das mãos e condenados à forca, chama a atenção a integridade do órgão do braço direito, que certamente não pertencia ao morto”, disse ele. Ao final, questionou a própria veracidade da composição pictórica, em que os sete cirurgiões de Amsterdam, que pagaram o pintor para participar da aula de Tulp, estavam mesmo ali ou teriam sido acrescentados mais tarde à cena central.

Após as duas palestras, a Acadêmica Maria Helena usou seus conhecimentos médicos e de historiadora para comentar e parabenizar os colegas.