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Máscara mortuária de Sarmento Leite será doada ao acervo do MUHM

A trajetória de um dos mais importantes personagens da medicina do Rio Grande do Sul ganhará um novo capítulo de preservação histórica. No próximo dia 17 de junho, às 18h30, a máscara mortuária de Eduardo Sarmento Leite da Fonseca (1868-1935) será oficialmente incorporada ao acervo do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM).

A doação será realizada pelos descendentes do médico, liderados pelo neto, o jurista Thiago Roberto Sarmento Leite, pelo bisneto e Acadêmico da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), Rogério Sarmento Leite, e pela trineta Maria Antônia Sarmento Leite, estudante de Medicina.

Patrono da cadeira 21 da ASRM, Sarmento Leite deixou uma contribuição decisiva para a consolidação da medicina e do ensino médico no Estado. Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1890, foi cofundador e diretor da então Faculdade de Medicina de Porto Alegre, onde lecionou Anatomia e participou ativamente da formação de gerações de médicos.

Ao longo da carreira, também exerceu importantes funções na saúde pública gaúcha. Foi secretário da Diretoria de Higiene do Estado, diretor do Lazareto dos Variolosos entre 1895 e 1900, chefe de Zona Sanitária durante a epidemia de peste bubônica de 1901 e diretor do Hospital de Emergência de Porto Alegre durante a pandemia de gripe espanhola de 1918.

Seu legado permanece presente na memória da capital gaúcha. Além de dar nome a uma das ruas de Porto Alegre, a antiga Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ficou conhecida por décadas como “Casa de Sarmento”, em reconhecimento à sua relevância para a instituição.

Uma homenagem que atravessa gerações

As máscaras mortuárias surgiram na Antiguidade como uma forma de preservar as feições de personagens de destaque antes do advento da fotografia. Ao longo dos séculos, transformaram-se em importantes registros históricos e símbolos de homenagem permanente a personalidades que marcaram sua época.

A máscara mortuária de Sarmento Leite integra esse patrimônio de memória. Sua incorporação ao acervo do MUHM contribuirá para a preservação da história da medicina gaúcha e para a valorização da trajetória de um médico cuja atuação deixou marcas duradouras no ensino, na assistência e na saúde pública do Rio Grande do Sul.

A relevância de Sarmento Leite foi reconhecida ainda em vida. Em 31 de dezembro de 1934, foi inaugurada uma herma com seu busto em bronze, esculpido por Antônio Caringi, na entrada do então novo prédio da Faculdade de Medicina da UFRGS, na Rua Ramiro Barcelos, monumento que permanece como símbolo de sua contribuição à medicina brasileira.