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OUT. 2025 | A trajetória humanista de Cyro Martins, por seu amigo, paciente e colega

Recortes existenciais e literários escolhidos pelo palestrante da Sessão Cultural da ASRM desta terça-feira (21), o Acadêmico Emérito Waldomiro Manfroi, foram capazes de dimensionar a trajetória humanista do médico, psicanalista e escritor Cyro Martins.

Criador da expressão “gaúcho a pé”, que designa o personagem oposto ao mitológico gaúcho heroico, produziu uma trilogia — Sem rumo, Porteira fechada e Estrada nova — sobre a vida na região da Campanha rio-grandense, que o consagrou como notável romancista.

Para o autor da apresentação — amigo e paciente de Cyro —, o livro A Dama do Saladeiro (1980) é o mais representativo de seu estilo literário, com narrativas plenas de vivências, contradições e confissões.

Cyro nasceu em Quaraí, em 1908, mas viveu também em Porto Alegre — onde graduou-se em Medicina —, no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, onde aprofundou sua formação psicanalítica. Escreveu diversos livros científicos sobre sua especialidade médica, sendo o último deles, datado de 1978, uma reflexão sobre a relação médico-paciente.

Publicou ainda, em 1990, o livro de memórias Para Início de Conversa, em parceria com o colega psiquiatra Abrão Slavutzky. Em 1991, lançou seu último trabalho de ficção, a novela Um Sorriso para o Destino. Posteriormente, publicou uma série de ensaios psicanalíticos em Caminhos (1993) e, quando se poderia esperar que falasse de si mesmo, surpreendeu ao discorrer sobre seus amigos poetas, pintores e ficcionistas — de Lila Ripoll a Nogueira Leiria, de Erico Verissimo a Theodomiro Tostes, de Vasco Prado a Mario Quintana — em Páginas Soltas (1994).

Cyro despediu-se da vida em 15 de dezembro de 1995.