
Os avanços da medicina têm ampliado as possibilidades de diagnóstico precoce, tratamento e cura do câncer de mama, proporcionando às pacientes melhores perspectivas de sobrevida e qualidade de vida. Essas conquistas foram abordadas na Sessão Científica da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), realizada no sábado (24), no auditório do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS), em Porto Alegre, em alusão à campanha Outubro Rosa.
O encontro reuniu especialistas para discutir as principais inovações no enfrentamento da doença, que permanece como a principal causa de morte por câncer entre as mulheres. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama foi responsável por aproximadamente 694 mil mortes no mundo em 2024.
A Acadêmica Sirlei Costa, ao apresentar o tema “Cirurgia da mama hoje”, destacou a evolução dos procedimentos cirúrgicos, que passaram de intervenções frequentemente mutilantes para técnicas capazes de preservar ou reconstruir a mama, com resultados funcionais e estéticos cada vez mais satisfatórios.
A especialista ressaltou a importância da cirurgia plástica reconstrutiva como parte do tratamento, considerando não apenas o controle da doença, mas também a autoestima, a dignidade e o bem-estar das pacientes. A abordagem busca respeitar o significado físico e emocional da mama na vida da mulher.
Diagnóstico precoce
A importância da identificação da doença em seus estágios iniciais foi enfatizada pelo Dr. Lúcio De Carli, responsável pela palestra “Diagnóstico precoce”. O especialista destacou a mamografia como principal método de rastreamento do câncer de mama, fundamental para identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o rastreamento mamográfico é recomendado a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres entre 40 e 49 anos também têm acesso ao exame, mediante orientação profissional sobre os benefícios e possíveis riscos.
Além da mamografia convencional, outros recursos de imagem, como a tomossíntese, a ultrassonografia e a ressonância magnética, podem complementar a investigação conforme as características das mamas e a avaliação clínica. Essas tecnologias contribuem para identificar lesões que nem sempre são visualizadas nos exames convencionais e aprimorar a precisão diagnóstica.
Tratamentos cada vez mais personalizados
Na palestra “Tratamento oncológico atual”, a Dra. Alessandra Morelle apresentou inovações que vêm transformando o cuidado das pacientes com câncer de mama, incluindo novos medicamentos, ferramentas de inteligência artificial e tecnologias de acompanhamento individualizado.
A especialista destacou a importância de considerar as características de cada paciente e de cada tumor na definição das condutas terapêuticas, reforçando que “cada história é única”.
Entre as abordagens disponíveis estão os tratamentos adjuvantes, realizados após a cirurgia para reduzir o risco de recidiva da doença, e os neoadjuvantes, administrados antes da intervenção cirúrgica para diminuir o tamanho do tumor e combater precocemente possíveis células cancerígenas disseminadas.
Novas terapias medicamentosas e ferramentas de monitoramento remoto também contribuem para um acompanhamento mais próximo das pacientes, permitindo avaliar sua evolução e identificar necessidades ao longo do tratamento.
A história do laço rosa
Coordenador da Sessão Científica, o Acadêmico Sérgio Roithmann também resgatou a origem do laço rosa, símbolo internacional da conscientização sobre o câncer de mama.
A história remonta à iniciativa da norte-americana Charlotte Haley, que, no início da década de 1990, confeccionava artesanalmente laços na cor pêssego para chamar a atenção sobre a necessidade de ampliar os investimentos em pesquisas relacionadas à doença.
Sua mobilização despertou o interesse da revista feminina SELF, mas Charlotte recusou a proposta de associação à campanha por considerar que a iniciativa se afastaria de seu propósito original.
Em 1992, a revista, em parceria com a marca de cosméticos Estée Lauder, passou a distribuir laços na cor rosa. A campanha ganhou grande repercussão e contribuiu para consolidar o símbolo que, atualmente, representa a mobilização mundial pela conscientização sobre o câncer de mama.
Em referência à campanha, as Acadêmicas Lígia Coutinho e Themis Reverbel da Silveira participaram da reunião com peças de vestuário na cor rosa. O gesto recebeu elogios dos colegas e foi registrado em fotografia ao lado do presidente da ASRM, Acadêmico Sérgio de Paula Ramos.







