
Viajante assíduo e admirador de Veneza e de seu extraordinário patrimônio histórico e cultural, o presidente da ASRM, Acadêmico Sérgio de Paula Ramos, ministrou uma verdadeira aula sobre arte, fotografia, história e sociedade na Segunda Cultural do Foto Cine Clube de Porto Alegre, realizada nesta segunda-feira, 08 de junho, por transmissão via Zoom.
Ilustrada com fotografias de sua autoria, especialmente retratos de pessoas, a apresentação teve como foco o Carnaval de Veneza, celebrado durante cerca de duas semanas no período que antecede a Quaresma.
A propósito, a palavra carnevale deriva da expressão associada à abstinência religiosa de carne observada durante a referida quaresma. Durante os festejos, Veneza transforma-se em um grande palco a céu aberto, onde pessoas mascaradas e trajando fantasias elaboradas participam de uma celebração marcada pela teatralidade e pela inversão de papéis sociais.
Diante da paciência dos carnavalescos, que permanecem por longos períodos posando para centenas de fotógrafos munidos de equipamentos profissionais ou simples smartphones, o psiquiatra — conhecido por suas imagens de vida selvagem — destacou como essência da festa a projeção de desejos ocultos, favorecida pelo anonimato proporcionado pelas máscaras.
Segundo o palestrante, o Carnaval de Veneza é mencionado pela primeira vez em documentos oficiais de 1094. Ao longo dos séculos, a festividade consolidou-se como uma das mais importantes da Europa e atingiu seu auge nos séculos XVII e XVIII, quando aristocratas e plebeus compartilhavam os festejos com um incomum senso de igualdade, em meio a práticas de liberdade sexual e ao consumo abundante de vinho. Nesse contexto, destacou-se a figura de Giacomo Casanova (1725–1798), símbolo da sedução masculina e personagem emblemático do carnaval veneziano.
As tradicionais máscaras permanecem como um dos maiores símbolos da festa. Entre elas estão a bauta, o volto, a colombina, a moretta e a máscara do médico da peste, caracterizada pelo longo bico preenchido com ervas aromáticas.
“Todos os 22 gêneros estavam representados na festa, que se tornou oficial em 1979”, afirmou o palestrante. Ele lembrou ainda que o Carnaval de Veneza foi proibido por Napoleão Bonaparte em 1797, ressurgindo apenas no século XX e consolidando-se como um dos principais atrativos do turismo cultural da cidade.
Realizada durante o inverno europeu, a festividade justifica o uso de pesadas fantasias e mantos que compõem o cenário em torno da Praça São Marcos. A relativa ausência de música contrasta com a exuberante sonoridade característica do carnaval brasileiro.
Além das celebrações nas ruas e praças, o carnaval também se estende a teatros e elegantes bailes de máscaras, cujos ingressos podem alcançar 1.500 dólares. “É uma celebração fascinante, cosmopolita e histórica”, concluiu o fotógrafo.