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AGO. 2025 | Reunião Científica da ASRM discute os desafios e perspectivas da longevidade

Com coordenação do diretor científico da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Acadêmico Sérgio Martins Costa, e tendo como secretária de mesa a Dra. Gisele Meinerz, do Programa Novos Talentos, a indagação “Longevidade: privilégio ou castigo?” serviu como enunciado temático da Reunião Científica da ASRM, realizada no último sábado, 30 de agosto, no Cremers. Para os três conferencistas da atividade, a resposta para o dilema é aparentemente singela: envelhecer é um privilégio, desde que se adote um estilo de vida saudável.

Segundo o Acadêmico Emílio Moriguchi, o privilégio de viver com qualidade na velhice depende de diversos fatores, como prática de atividade física, alimentação natural, sono reparador e, sobretudo, convívio social com familiares e amigos.

Filho do pioneiro geriatra Yukio Moriguchi, de 99 anos, Emílio carrega não apenas a herança genética, mas também a experiência de quem há mais de quatro décadas conduz, em Veranópolis, um estudo de referência nacional sobre longevidade. Em trabalho desenvolvido pelo Instituto Moriguchi, com apoio da prefeitura, o pesquisador reúne evidências de que a convivência social, em boas companhias que acolhem e protegem, é fator essencial para produzir felicidade. “A premissa essencial é responder: afinal, o que é importante para ser feliz?”, disse. “Na situação inversa, a solidão mata.”

Para o geriatra Renato Gorga Bandeira de Mello, não é simples responder por que envelhecer pode ser considerado um castigo no Brasil. Em sua visão, a desigualdade social, que priva a maioria da população de alimentação adequada, acesso facilitado a serviços de saúde e medicamentos necessários, torna preocupante o rápido envelhecimento da população aliado ao aumento da expectativa de vida. Isso pode significar que grande parcela de brasileiros viverá com incapacidades, comorbidades, hipertensão, diabetes, limitações de mobilidade e depressão. “Para vencermos o desafio de implantar o envelhecimento saudável no Brasil teremos que trocar a roda com o carro andando em alta velocidade”, comparou. “Para diminuir o ‘castigo’, é preciso mudar a cultura em relação ao idoso, promover suas capacidades nas comunidades, facilitar o acesso à saúde e investir em cuidados de longo prazo.”

Ex-secretário municipal da Saúde e ex-prefeito de Veranópolis, além de parceiro ativo do Instituto Moriguchi, o cardiologista Waldemar de Carli destacou a importância do poder público no processo de envelhecimento da população. Graças ao apoio contínuo da prefeitura, que participa do estudo desde sua criação, o município conquistou o título de “Cidade Amiga do Idoso”, concedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi também a única cidade brasileira convidada a participar de um encontro global de Cidades Amigas do Idoso, em Dubai. Em parceria com a produção científica do Instituto Moriguchi e após consulta à população, a prefeitura implantou melhorias significativas voltadas aos idosos, como passeios e calçadas acessíveis, aumento da iluminação pública, programas de lazer coletivo e turismo social, cursos de informática e adaptações no Hospital São Peregrino.

Assista abaixo às palestras na íntegra.