
A magnífica obra do escritor Dyonélio Machado, revisitada agora na celebração dos 130 anos de seu nascimento, é indissociável de sua trajetória de vida. Construída pela multifacetada personalidade do médico, psicanalista, escritor e político, a jornada de Dyonélio foi apresentada pelo doutor em literatura e especialista nos autores do RS, professor Jonas Kunzler Dorneles, na tradicional Sessão Cultural da ASRM nesta terça-feira (19). O convidado iniciou abordando a biografia do autor, nascido em Quaraí em 1895, que transferiu-se para Porto Alegre para estudar em curso preparatório com o objetivo de ingressar na Faculdade de Medicina.
Em 1928, classificou-se em primeiro lugar em concurso público para funcionário do Hospital Psiquiátrico São Pedro (onde trabalhou durante 30 anos e chegou a diretor). No ano seguinte, 1929, obteve seu diploma de médico. Em 1930 e 1931, especializou-se em Psiquiatria, no Rio de Janeiro. Lá conheceu a obra de Sigmund Freud e foi o primeiro a introduzir a psicanálise no RS em 1953.
Antes, ao desenvolver militância política, foi preso por ocasião da Intentona Comunista e enviado para o Rio de Janeiro, onde conheceu Graciliano Ramos. Em viagem, como prisioneiro, veio a saber que Os Ratos, seu primeiro romance, acabara de receber o Prêmio Machado de Assis, sendo publicado no mesmo ano de 1935.
Eleito Deputado Estadual Constituinte pelo Partido Comunista em 1947, logo foi cassado pelo governo do presidente do país, Gaspar Dutra.
Dedicado à medicina, passou 20 anos sem publicar nada, mas, ao “ressuscitar” como escritor, desvendou uma produção literária que escondia metade de tudo que se conhece da autoria do patrono da cadeira 19 da ASRM. Definida por Jonas como inspirada no realismo crítico e no humanismo socialista, a obra literária de Dyonélio é vertebrada pela investigação dos sintomas sociais, marcada por personagens solitários presos às suas angústias e por personagens que se integram em grupos capacitados a se libertarem de suas tragédias pessoais, com o apoio de humanistas.
Depois de seu falecimento, em 1985, criou-se o valioso Arquivo Dyonélio Machado, com todos os inéditos que reforçam a dimensão do patrimônio cultural rio-grandense de sua autoria, que só agora conquista o reconhecimento merecido.
Assista abaixo à palestra na íntegra.