
Na exposição intitulada “A Arte Visual como Registro Histórico da Medicina”, a Acadêmica Miriam da Costa Oliveira ofereceu, na Sessão Cultural da ASRM, um consistente painel fortalecido pelo conhecimento teórico sobre o tema pesquisado e especialmente enriquecido pela vivência pessoal acumulada em visitas a exposições artísticas em espaços culturais, salões e museus de várias partes do mundo.
Sob o signo da afirmação de que a arte é tudo, afixada em postais da UFRGS, a palestrante iniciou com provocações sobre a definição do que é arte. Em seguida, destacou a importância da atividade artística na medicina: no desenvolvimento da empatia, no estímulo à criação, na redução do estresse e na humanização da profissão. Passou a abordar as artes plásticas, dos papiros médicos do Egito, dos deuses da mitologia grega e do discurso completo de Hipócrates (usado, porém, em versão reduzida sem alusão às divindades mitológicas no juramento das formaturas médicas). Recorrendo a fotografias de sua autoria, inverteu a proposta investigando a influência da medicina nas artes, passando por imagens de obras conhecidas mostrando pessoas com obesidade, nanismo e gigantismo.
Recorrendo a fotografias de sua autoria, inverteu a proposta ao investigar a influência da medicina nas artes, passando por imagens de obras conhecidas que retratam pessoas com obesidade, nanismo e gigantismo.
Com conhecimento médico, permitiu-se questionar eventuais diagnósticos de anomalias em personagens retratados por especialistas na anatomia humana, como o próprio Leonardo Da Vinci em sua Monalisa, possivelmente portadora de hipotireoidismo e bócio.
No cenário brasileiro, selecionou Di Cavalcanti, Iberê Camargo e Fernanda Martins Costa como autores inspirados pelo corpo humano, bem como, no RS, os médicos Paulo Favalli, na escultura, e Ronaldo Dias, no cartum.
E como a arte atinge positivamente os pacientes? Segundo a Acadêmica, ajuda a reduzir o estresse, elevar a autoestima, fortalecer conexões sociais, mobilizar o senso cognitivo e provocar alegria.
Ao final da palestra, transmitida on-line na tarde desta terça-feira (17), as manifestações dos participantes demonstraram engajamento e interação — e, certamente, a capacidade de contemplar o belo, invocada em conceito citado pela ex-presidente da Academia. Foi alcançado o deleite intelectual e sensorial sugerido pelo diretor cultural Claudio Marroni ao iniciar o evento.
Assista abaixo à palestra na íntegra.