O presidente da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina (ASRM), Acadêmico Sérgio de Paula Ramos, assina nesta sexta-feira (28) um artigo no Caderno Opinião do jornal Zero Hora intitulado “Medicina, profissão impossível”, no qual reflete sobre a crise instalada na formação médica no Brasil e seus impactos diretos na saúde da população.
Com base em sua experiência clínica e acadêmica, o Presidente da ASRM retoma a advertência do professor Mário Rigatto sobre a natureza singular da medicina: uma profissão em que o próprio profissional trabalha para reduzir o número de pacientes, por meio da prevenção e do diagnóstico precoce. Ele ressalta, porém, que esta lógica é incompatível com a atual realidade do país, marcada pela proliferação acelerada de faculdades de medicina sem garantia mínima de qualidade.
O artigo destaca que o Brasil chegou a 494 escolas médicas — tornando-se o país com maior número de escolas per capita no mundo, superando EUA, Inglaterra e Índia — e que muitas autorizações ocorreram sem a devida avaliação da capacidade formadora das instituições. Faculdades sem hospitais-escola, sem corpo docente qualificado e sem infraestrutura adequada produzem egressos sem preparo técnico suficiente para atender a população.
Essa análise converge diretamente com o posicionamento institucional da ASRM, que desde o início desta gestão definiu a educação médica como tema prioritário e vem alertando autoridades e sociedade sobre os riscos de uma formação deficiente. A Academia tem reiterado que médicos mal preparados comprometem o cuidado à saúde e ampliam desigualdades no acesso a um atendimento seguro e de qualidade.
O assunto, inclusive, é o foco da última Reunião Científica de 2025, que ocorre neste sábado, 29 de novembro, no auditório do CREMERS, reunindo representantes do CREMERS, Simers e ABEM para discutir a abertura indiscriminada de cursos, testes de proficiência e diretrizes curriculares. A ASRM reforça que o debate não é apenas técnico, mas social: envolve o futuro da profissão, a segurança da população e a responsabilidade coletiva com o sistema de saúde.